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MAN0EL DE BARROS, POETA
19-03-2003
O ponto alto da estada em Campo Grande (MS) foi a visita ao poeta, que já está com 86 anos, mas absolutamente em estado de graça, produtivo, animado ainda que conservando sua modéstia e discrição.
Manoel de Barros nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 19/12/1916, quando ainda não existia a divisão territorial dos estados. Criado numa fazenda na região de Corumbá, considera-se um “pantaneiro” e a sua poesia está impregnada da força telúrica do meio ambiente “abolindo tanto as fronteiras entre os reinos vegetal, mineral e animal, quanto as que existem entre as categorias gramaticais, na opinião de Claufe Rodrigues e de Alexandre Maia.
A visita foi organizada pela UNIDERP e por sua Fundação Manoel de Barros, à casa do poeta, num dos bairros de classe média alta da cidade. Avesso a auto-promoções , não queria a presença da TV, mas aceitou o fotógrafo, pois o Reitor Pedro queria documentar, registrar o encontro.
Foi uma noite memorável, cálida, sem que ele ouviu com muito interesse a apresentação de meus livros e respondendo às minhas perguntas, falou bastante sobre sua vida e trajetória política.
Na opinião dos acompanhantes — o Reitor e outras autoridades — ele estava mais acessível e à vontade do que nunca e fez revelações incomuns sobre sua obra.
O poeta maior de Mato Grosso está longe de ser um naive (ingênuo) embora a tônica de sua poesia possa indicar aos menos iniciados com sua técnica sofisticada subjacente.
Ele foi educado no Rio de Janeiro, fez longas viagens pela América do Sul e cursos de arte em New York e publicou muitos livros de poesia, a partir de 1937 até o último em que “para buscar o azul” o poeta prefere “usar pássaros”, editado em 2000 na forma de um luxuoso álbum fotográfico do Pantanal, que ele deu-me a honra de autografar.
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Na foto: Waldemar Ottani, vice-reitor da UNIDERP, Antonio Miranda, Fernanda Gomes de Araujo, Manoel de Barros e Reitor Pedro Chaves dos Santos Filho. Foto de Wag’ner Guimarães.
Aceitei com os editores da revista “Prosa” a publicação de um trecho de “Horizonte Cerrado” e uma resenha sobre o livro, escrito pela Profa. Elga Pérez-Laborde.
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